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5 de setembro de 2009

poemas esquecidos


Cello
Meus dedos tocam as cordas
Minha alma se alimenta das notas
Cada agudo rasga o coração
Abrindo a ferida entre o pulso e o espiírito
Do ventre o som reage
E toda canção tem sentido
E vive
Livre
Voa
Ouve
Pulsa





poema sem fim
Perdemos todo o encantamento
Há esperança
Na poesia há onde repousar
Toda dor
Todo movimento
Toda inspiração
Perdemos o caminho de volta
Mas as pinhas ainda deitam-se ao chão
O cheiro do barro da estrada
Céu tristonho azul
Verso que cala
Engasga
Palavra na lágrima
Contrário que completa
Poema que não tem fim
Pena que caiu
Sentimento que guardou
Em sono sinto o cheiro
Não tenho medo
Escuto o coração bater
E o sol nascer
O que será que basta?
O que será que cala?
Letra por letra
Fogem da minhas mãos
E são folhas ao vento
Alguém achará




no meio da rua
Encontrei um poema perdido
No meio da rua
Sem estar escondido
Meus olhos fitavam-no aguçados
Mãos trêmulas caligrafavam
O espaço se reduziu a uma folha de papel
Perdi o receio
No meio da rua
Lembrei dos sonhos
Pensei nas faces que via
Olhos tristes que rejeitam beleza
Acolhem melancolia
Encontrei minha vida
No meio da rua
Teimosia de poeta
Sempre procurando algo
Inspiração da palavra certa
Ventania
Perdi a escrita
No meio da rua
Como pombas que voam ao mesmo tempo para lados opostos
Esqueci a rima
Escondi as horas
O que importa ser perfeito?
Voltarei a hora que encontrá-lo
Ilusão doce
O poema não pertence ao poeta
Pertence ao coração que encontra
Onda
o que não se escreve
se esquece
se esquece
morre
quando morre
se lembra
quando se lembra
entristece
dói-se
saudades
que vão e vem
como ondas no mar
como batidas do coração
como o vento
que vai para onde não se sabe
esconde-se
e volta de onde não se vê





Estou dividida entre mim mesma e alguém que mora em mim
esse alguém sempre lembra das coisas que quero esquecer
me faz ter vontades e atitudes que não gostaria
e me mostra que só o que compreendo no mundo são as palavras
as palavras...
Podem ser escritas em qualquer lugar
em todo instante
impulso que segue como música
musicista literata?
Poetisa cancioneira?
Cellista que lê e escreve mais do que sinais na partitura.
Esse outro alguém sente-se capaz de escrever livros e ler os olhares, eu sou mais realista, tocando bem tá bom.
Será?
Será possível alguém conseguir viver sem fazer o que é mais forte do que respirar? Uma ânsia quase que insana por ver, sentir e escrever. Sem pensar. Para que pensar? As letras surgem uma a uma em mim e vagam por minha mente.
Meu problema é sempre querer mais. Eu sempre quero mais. Não me contento com o quase ou o gostinho, quero viver intensamente cada segundo. Sempre dou o melhor em tudo que gosto.
O que gosto. Não suporto pressão. Pra que viver assim? Eu não consigo. Por isso não me adequo ao mundo, nem ao sistema, nem a ninguém. Não quero me adequar, quero trocar, olhar e às vezes pensar em nada.
Esse alguém que mora em mim está saindo e mais forte a cada dia. Esse alguém sou eu, eu mesma.

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